Lições de Economia

Aprender economia é aprender a fazer as melhores escolhas. Penso que quem inicia este estudo, no mais das vezes, pensa que este é o estudo da riqueza. No entanto, o que irá estudar mais, será o problema da escassez, já que, se esta não existisse, para que economia? Como professora de Economia, aprendi este ofício e o exerci entre livros e teorias. Mas percebi que esta ciência, que seduz a tantos com suas linhas e curvas, muitas vezes pode ser ensinada com outras ferramentas.
Se perguntarmos a alguém o que faria se ganhasse um prêmio de loteria, a pessoa seria capaz de elencar dezenas de itens, mas, na realidade, ela só pode fazer 2 coisas: guardar ou gastar, ou seja, consumir ou poupar. Vejam como Cecília Meirelles explica o dilema da escolha, "...Ou guardo o dinheiro e não compro o doce / ou compro o doce e gasto o dinheiro / Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo / e vivo escolhendo o dia inteiro!..." Quem disse que economia não rima com poesia?
Muita gente pensa que não é necessário esforço para gerar riqueza. Sonham com um manual de como vencer na vida sem fazer força. Ou ainda, que a solução para sua vida seria ter uma grande fortuna. Muitos vão procurá-la no jogo e até no crime. Jesus Cristo também explica o que acontece à riqueza quando não há investimento e trabalho, só consumo, por meio de uma parábola em que o filho mais jovem de um homem partiu para uma região longínqua a ali dissipou sua herança numa vida devassa. Gastou tudo e começou a passar privações. Adiante, na mesma parábola, o filho retorna para a casa do pai, cuja fortuna e a fartura foram mantidas pelo trabalho. Sabia que até Jesus Cristo se preocupou com isto?
Muitas vezes já ouvimos a expressão "tempo de vacas gordas" ou "tempo de vacas magras". A idéia é que as "vacas gordas" não devem ser consumidas inteiramente, parte delas, ser poupada para quando vier o tempo das "vacas magras". Em termos econômicos, para que haja estabilidade econômica e não sobrevenha o desemprego e a fome, é preciso abdicar de parte do consumo para haver poupança. É desta acumulação que sairão os recursos necessários para novos investimentos, que resultarão em mais riquezas e empregos. É da bíblia também que veio este ensinamento. Lá está relatado que o faraó teve um sonho, no qual sete vacas gordas e bonitas saíam do rio Nilo e pastavam na invernada. Atrás delas, saíam do rio outras sete vacas, magras e feias, que devoraram as vacas bonitas e gordas e, ainda assim, continuavam magras e feias como antes. Foi chamado um seu escravo, José, que interpretava sonhos. José explicou que haveriam sete anos de grande fartura e depois viriam sete anos de fome. A fome esgotaria a terra de tal modo que ninguém se lembraria da fartura. Aconselhou o faraó a instituir funcionários que arrecadassem um quinto da produção durante os sete anos de fartura. Quando viesse a fome, os alimentos armazenados sob a autoridade do faraó serviriam de reserva para o país. E conta ainda que, quando veio o "tempo das vacas magras", os outros países foram obrigados a comprar do Egito, que era o único que tinha poupado parte das "vacas gordas". Aqui vemos a importância da poupança interna de um país e a finalidade da cobrança de impostos. Tal esforço, no entanto, só preservou a nação e seu povo porque os recursos foram corretamente utilizados. Não te faz pensar?

Maria Inês
04/08/2006


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