Sem limites

Lá no meu terreno em São Luiz
Do Paraitinga, não do Maranhão
Sempre me perguntam da divisa
Do tamanho, da cerca que fiz.
Mas não tenho essa preocupação
Com cerca, medida, extensão
Lá tudo me pertence.
Meu é o vizinho
Com sua casinha de janelas azuis
Minha é a montanha enorme e sinuosa
E sua pequenina árvore solitária e briosa
Meu é o cheiro da chuva,
O perfume da flor e o sabor da fruta,
O vôo improvável da angolinha
Forte, a que se diz fraca
As cores da natureza
E o balé dos cardumes
O bezerro no ventre da vaca
O frio, a névoa, a lua cheia
O céu iluminado de estrelas,
Constelações, nebulosas
A festa dos vagalumes
O beija-flor com seu encanto
E o canto do bem-te-vi.
Meus são os meninos que lá brincaram
Riram, se sujaram e cresceram.
Estes, me disseram,
Não são meus, são do mundo
Não brigo, concordo,
Mas não dou ouvido,
Só faço que acredito.
E por fim, é meu também
o amor do homem bonito
e dono comigo dessa beleza
É dele a mão quente e segura
Na travessia, na aventura.
São dele o olhar amoroso,
As poucas palavras,
A clareza do pensamento.
E dele, além de tudo o que foi dito,
É meu coração, em cada batida
Meu amor de cada dia
O dia todo
E a cada momento.

Maria Inês, em 23/08/2007


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Pousada Recanto Fazendinha - Estrada Municipal Santa Cruz do Rio Abaixo - Km 7,3 - São Luiz do Paraitinga