Naquela época, exército rimava com ditadura
E esta, fazia rima pobre com tortura
Mas nós, nem sabíamos das táticas de Marighella
Só sabíamos da matemática com D. Telma Mazella.
Naquele ano, a lua foi tocada
O impossível visto em rede mundial
Lindo, lindo, disse o astronauta Aldrin
E nós? Zero a lápis do Prof. Amorim.
A corrida espacial prossegue
Disputa que o poder persegue
Salgueiro foi campeã do carnaval
A Globo reporta em seu Jornal Nacional
Do regime, a inteligência é inimiga
A força do ato institucional
Prendeu o avô de nossa amiga
Reitor da Universidade Rural
Rockefeller, o milionário,
Beto, o imaginário
Juntam na nossa fantasia
Emoção, sonho e alegria.
Na França, De Gaulle renuncia
O Camboja sofre bombardeio
Médici seu mandato inicia:
Brasil ame-o ou deixe-o.
Caetano estava exilado
Enquanto víamos Família Trapo
Termina o festival de Woodstock
E sobe aos ares o Concorde.
Seqüestraram o Embaixador americano
Divorciaram-se Gunter e Brigitte Bardot
Casaram-se John e Yoko Ono
Lidiane e Tony Ramos.
Viva o milagre econômico nacional!
Viva a luta contra a discriminação racial!
Viva o sonho que resiste enfim
Na Graúna e no Bode do Pasquim.
Cantamos Atrás do Trio Elétrico
E achamos o Chico Buarque lindo!
Pena que não deu certo
Quem quis ficar nu foi o Roberto.
Maria Inês, 27/02/2005