Festas e reuniões sociais

Retomei a escrita com uma caneta branca e rosa, que eu ganhei da Ana Carolina, minha neta, no Dia das Mães deste ano de 94. Obrigada Ana Carolina, e que eu tenha a mão e a idéia, bem guiadas pelo carinho de sua lembrança!
Como eram as reuniões sociais à época de minha infância, ou juventude? Antes da 2ª Guerra Mundial, décadas de 20 ou 30, os aniversários, que eu me lembre, só traziam doces e bolos; nada de velas para apagar. O brasileiro era simples e não copiava como hoje. Meninos e meninas, moços e moças, sentavam-se na sala, para um verdadeiro "sarau". Alguém recitava ou cantava, acompanhado ou não de instrumentos. Era a época dos recitativos ou jogos de salão, ou das tertúlias, conforme o grau dos presentes. Menção honrosa para o Alfredo Rosseti, nosso cantor de tango ("Mano a mano", o preferido) e que se acompanhava ele mesmo ao violão. Era espirituoso e versátil.
Havia os livrinhos de modinhas (sambas, valsas, tangos, canções, etc.) que atualizavam o repertório e passavam de mão em mão para as cópias de preferência. Era um verdadeiro milagre! Como se podia conhecer tanta música com letra para cantar se o rádio engatinhava no interior do país? O primeiro aparelho de rádio que o papai comprou foi em 1936, salvo engano meu. Com o rádio, a coisa estourou...
Também não me lembro de salgadinhos, ou bolos cobertos, quando muito por massa de suspiro levado ao forno para dourar. Chá era a bebida servida, ou café; às vezes o refrigerante que se chamava "gasosa". Nos casamentos, doces, muitos doces: de coco, laranja, mamão, de leite; nada de docinhos sofisticados como os de hoje. Fartura, muita fartura. Era praxe, o almoço do casamento para a família dos noivos, com muitos assados. Era ruidosa a comunicação.

06/06/94


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