Ler, escrever e contar: o Grupo Escolar

De frente para a então Praça Conselheiro Antônio Prado, hoje Praça João Birolli, parece-me; atrás da Igreja Matriz, na esquina da Avenida 7 com a Rua 10, erguia-se o Grupo Escolar de Uchoa, onde aprendi a "ler, escrever e contar".

Era bela a casa onde morou o Sr. Joaquim Pinto de Cintra Camargo, de prestígio político do P.R.P. - Partido republicano Paulista, nos meus tempos de criança. De jardim à frente que, com a sua trepadeira de "amor juntinho", terraço lateral, dominava o Largo da Matriz. Era, sem dúvida, a residência mais bonita da cidade, num terreno que chegava até a rua de trás, Avenida 9. Camargo era dono da Agência Chevrolet, de carros, onde mais tarde seria a espaçosa Casa Moderna, do Adib Gattaz. (João Andreu Blaya (Blaya) era o espanhol da Agência Ford. Na minha concepção infantil, a Agência Chevrolet era "perrepista" e a Ford "democrática". São coisas da figuração...) Com a mudança do Camargo para Campinas, o Grupo Escolar instalou-se ali onde ele residia.

Em 1928, no início, eu ainda com 7 anos, pois sou de agosto, fui matriculada no 1º ano. Tenho vivo na memória o momento em que o papai voltou lá de dentro do grupo, subiu na direção do nosso carro, um "fordinho", acompanhado do Prof. José Augusto Fessel, diretor da escola. Este bateu no meu joelho dizendo que já seria mais uma aluna matriculada. Foi a sua forma de acolhimento. E o Prof. Fessel, muito severo e temido pelos alunos, não deixou de presentear-me com um livro - "Alma das Coisas", de César Martinez - quando se removeu para São Simão, sendo substituído pelo Prof. Arthur Leite Carrijo, em novembro de 1930. Eu passara o 4º ano. Abraçou-me com afeto, e de São Simão enviou um postal da cidade para o papai, onde pergunta pela figura "sempre alerta da Ilmen". Devo ser grata pela sua atenção que na verdade, na época, a inconsciência infantil não sabia medir. Escorreguei na memória subjetiva. Não é este o papel deste caderno. Dizer sim que antes do Grupo Escolar havia as Escolas Reunidas. Onde funcionavam não sei dizer; só alguém mais velho que eu. Só sei que tio Zimbres (Prof. Sebastião Faria Zimbres) e o Prof. Penna lecionaram em Ignacio Uchoa e saíram casados dali. Tio Zimbres com a tia Conceição, minha madrinha de crisma e irmã da mamãe; o Penna com uma filha do Sr. Ubaldino Álvares Peres, espanhol coletor federal. E mais, o Prof. José Ribeiro da Silva com a Maricota, filha da tia Mariquinha. O clima casadouro atuava bem, pelo visto. Tornei a deslizar? Devo pedir desculpas?

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Antes de parar por hoje, lembrei-me que o Penna era irmão de João Damasco Penna, autor de livros pedagógicos adotados em meu Curso Normal. Fica, então, a referência.
Em tempo - autor e tradutor.
21/03/95


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