Imprevisto de palco

Relendo o que escrevi, lembrei-me outra vez da Mirtes Vega. Foi minha colega de grupo escolar. Era muito bonita, de aspecto educado, bem tratado. Seu pai era pessoa bem vista no mundo dos negócios, representante de uma casa comissária de café, em Santos. O certo é que ela chamava a atenção pela "pose" e distinção entre as colegas. Sua mãe, D. Maria Gurgel Veiga, era das damas da sociedade local. Tudo isso a propósito do que aconteceu numa festa escolar, de 7 de setembro, realizada no cinema, que, como era teatro, seu palco possuía o "buraco" do "ponto". No decorrer dos números do programa da feita, Mirtes foi anunciada para recitar. Ela apareceu solene no palco e "proclamou" o título da poesia: "O Ipiranga". E sumiu, para espanto da platéia: tinha caído dentro do buraco do "ponto"! ... E, mais uma vez seu pai correu, tirou-a da situação desastrosa - só que desta vez, não sob a ameaça do fogo, mas coberta de pó e teia de aranha. O impressionante foi o silêncio dos presentes. O impacto foi total. Quem poderia pensar em coisa igual e ainda com a Mirtes, tão cerimoniosa ... "O Ipiranga"...

11/09/95


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