Expressões da linguagem popular, à época de minha juventude e mocidade:
- “feriado de São Crispim” - na 2ª feira, ressaca de domingo; o sapateiro não abria sua oficina por ter trabalhado no sábado até tarde, consertando solas para o calçado do domingo. São Crispim é o padroeiro dos sapateiros, daí a expressão;
- “gabireu”: é caipira, matuto;
- “da pontinha”: punha-se o braço em volta do pescoço, atrás se prendia a ponta da orelha oposta, para se rudicar uma coisa perfeita;
- “it”: graça, charme;
- “pequena” - garota, namorada;
- “corneta”: novidadeiro, mexeriqueiro (havia até um habitante da cidade com esse apelido...);
17/06/97
- “brincadeira”: domingueira no club, ou bailinho sem qualquer dia da semana;
- “assustado”: o mesmo que “brincadeira”;
- “capiau”: o mesmo que “gabirei”;
- “chic”: muito elegante;
- “cotiar”, “trançar”: o mesmo que perambular, andar por aí;
- “jazz-band”: orquestra de dança;
- “crooner”: vocalista de jazz-band;
- “perequê”: confusão;
- “dar os doces”: casar;
- “supimpa”: ótimo;
- “maricorejo”: fricote;
- “carro de praça”: táxi;
- ”pé-dois”: andar a pé, os trens tinham o prefixo P para numerá-los e identificá-los (P.1; P.2 ... - trens de passageiros da Estrada de Ferro Araraquara – EFA);
- “correio sem selo” (ou sê-lo?): novidadeiro, mensageiro indesejado;
04/07/97
- “mon béguin” (mon beguém – pronúncia francesa): minha paixão, o meu predileto, de interesse passageiro;
- “tomar chá-de-cadeira”: não ser convidada para dançar;
- “comer perna de peru”: o mesmo que chá de cadeira;
- “contradança”: o momento dançado pelos pares no baile, ao som da orquestra; geralmente, em dois tempos; os pares pediam o bis através de palmas;
- “par constante”: quando o cavalheiro se mantinha dançando sempre com a mesma dama;
- “flirt”: paquera;
- “tirar linha”: o mesmo que flirt;
- “limpa-banco”: expressão vulgar para música irresistível, no baile;
- “funcionário do Dr. Rua”: vagabundo, sem ocupação definida;
21/07/97
- “andar de bonde”: passear com o namorado;
- “segurar vela”: ficar ou passear junto com um casal de namorados;
- “cafeteira sem fundo”: aquela que deixa passar tudo, que aceita os inconvenientes sem reclamar; sujeito passivo;
15/10/97