Poeira e serpentina

Ruas poeirentas de Uchoa... O asfalto só veio, creio, pela década de 50, quando a rodovia trouxe o progresso a galope. Revejo-me; saindo pela porta da frente e olhando a rua sossegada, de terra, em declive suave para a praça da Matriz. O chão parecia macio, de areia erguida no passar de um carro, ou de um cavaleiro, não poucos. A cidade parecia estar preguiçosa sob o sol constante das estações bem definidas em tempo das águas ou não. Mas, sabia-se nela pulsava toda a população que, como todo o mundo, ansiava por viver o sentido das coisas em redor, colorindo da melhor tinta o seu quadro de vida possível.
13/10/98

E calçadas? Havia? Quando menina, não me lembro delas, a não ser um arremedo à frente das casas. Foi um acontecimento a colocação das guias de pedra que obrigaram a pavimentação organizada. Bem mais tarde, eu já não morava em Uchoa, cobriram-se as ruas de asfalto, modernizando-se a antiga Ignácio Uchoa...
26/10/98

Uma lembrança remota me veio do Carnaval de 1926. Havia tanta serpentina nas ruas que os pés se embaraçavam no seu emaranhado, aos montes. Como nas "batalhas" de confete e lança perfume. Era o resultado de um desfile de carnaval, com corso de automóveis em volta da praça, realizado sem preocupação com gastos com fantasia, serpentina e confete. Estávamos no Oeste paulista, no apogeu do café e da riqueza que ele trazia. Mal sabíamos, nós, o que nos esperava em 1929... A queda da bolsa de Nova York mudaria a orientação econômica e o café que enriquecia os uchoenses perderia o valor.
27/10/98


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Pousada Recanto Fazendinha - Estrada Municipal Santa Cruz do Rio Abaixo - Km 7,3 - São Luiz do Paraitinga