"Euteamo" e suas estréias

Te amo mais uma vez esta noite
talvez nunca tenha cometido "euteamo"
assim tantas seguidas vezes, mal cabendo no fato
e no palco dos dias.
Não importa, importa é a alegria límpida
de poder deslocar o "Euteamo"
de um único definitivo dia
que parece bastá-lo como juramento
e cuja repetição pode maculá-lo ou duvidá-lo...
Qual nada!
Pois que o euteamo é da dinâmica dos dias
É do melhoramento do amor
É do avanço dele
É verbo de consistência
É conjugação de alquimia
É do departamento das coisas eternas
que se repetem variadas e iguais todos os dias
na fartura das rotações e seus relógios de colméias
no ciclo das noites e na eternidade das estréias:
O sol se aurora e se põe com exuberância comum e com novidade diária
e aí dizemos em espanto bom: Que dia lindo!
E é! Porque só aquele dia lindo
é lindo como aquele.
Nossa sede, por mais primitiva,
é sempre uma.
Uma loucura da falta inédita
até o paraíso da água nova
no deserto da nova goela.
Ela, a água,
a transparente obviedade que
habita nosso corpo
e nos exige reposição cujo modo é o prazer
Vê: tudo em nós comemora
o novo milenar de si
todas as horas
Comer é novidade
Dormir é novidade
Doer é novidade
Transar é novidade
Maravilhosa repetitiva verdade que se
expõe em cachos ao nosso dispor
variando em sabor, em temor e glória
Por isso euteamo agora como nunca antes
Porque quando euteamei ontem
Euteamava naquele tempo
e sou hoje o gerúndio daquela disposição de verbo
Euteamo hoje com você dentro
embora sem você perto
euteamo em viagem
portanto em viragem diferente da que quando estava perto.
Euteamo como nunca amei
você longe, meu continente, meu rei
Euteamo quantas vezes for sentido
E só nesse motivo é que amarei


Elisa Lucinda


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