Bela e inculta

Nascida em muitos berços
Chamou-a Bilac inculta e bela.
Vinda de além-mar
Em aventureiras caravelas,
Em negreiros navios
Nas missões, nos visitantes
Veio das tribos dos gentios
E no abrigo do imigrante.
Assim formou-se esse gigante
Que a mesma língua fala
Incorpora, muda, mas não cala
Em todos os seus quadrantes.
Herdeira de tantos impérios
Atacada, seduzida, reformada
Merece mostrar seus mistérios
E ser melhor estudada.
Pobres gerúndios e conjugações,
Verbais e nominais concordâncias
usados, ao sabor de circunstâncias
Numa mistura sem substância.
Inculto, respeite a bela
Em que ouviu a voz materna
Una, querida e indefesa
Nossa língua portuguesa.

Maria Inês, em 03/07/2009 - em registro à visita ao Museu da Língua Portuguesa, SP


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