Consultório, boa tarde!

De vez em quando temos que ir a algum consultório. São pediatras, dentistas, clínicas de raio X e ultrassonografia, laboratórios de análises, clínicos de diversas especialidades. Quando somos jovens, levamos os filhos. Descobrimos tratamentos novos, aparelhos dentários, tratamentos preventivos. Uma maravilha! Depois eles crescem e aí passamos a levar a nós mesmos. Começamos a marcar presença regular em médicos para evitarmos ficar doentes e precisarmos de médico. Não é interessante? Funciona assim: os médicos descobrem doenças e seus tratamentos e nos indicam os exames necessários para procurá-las. Assim, percorremos salas de espera, e nelas permanecemos por um tempo que costuma ser mais prolongado que a consulta ou exame que vamos fazer.
Enquanto, esperamos, entre desconhecidos, costuma ter alguma opção de lazer, que varia de um lugar para outro. Vou elencar algumas que já vi:
1. Televisão por assinatura sintonizada no Animal Planet - na oportunidade, o programa mostrava uma festa para cães com bolo de aniversário, decoração própria e os cães usavam chapeuzinho, além, é claro, de parabéns, quando os cachorros eram ajudados a bater palmas com as patinhas;
2. Televisão aberta passando programa da tarde daqueles que dão receitas para várias doenças - estes podem, talvez, resolver seu problema sem consultar o médico;
3. Revistas médicas ou de propagandas de medicamentos - atendem a um aspecto talvez educativo, que me faz querer presentear o médico com uma assinatura de The Economist, para que ele leia quando desejar passar o tempo;
4. Revistas de fofocas de artistas - estas podem causar depressão, devido ao fato de que as revistas de duas semanas atrás já mostram romances superados e nos faz sentir que o tempo está passando depressa demais ou ainda, que não somos atraentes o suficiente para nos casarmos de véu e grinalda tantas vezes;
5. Jornais - é uma opção menos freqüente, a parte mais interessante é que você tenta remontar as partes, é um tipo de quebra-cabeça que dura quase todo tempo da espera;
6. Música ambiente - normalmente as músicas são boas e você tem a opção de contar quantas vezes o CD volta na mesma música para calcular o tempo da espera
7. Secretária - obviamente não está lá como opção de lazer, mas sem dúvida é a atração mais interessante. Admiro aquelas educadas, tranquilas ao responder, enquanto o telefone toca simultaneamente ao chamado do doutor, ao preenchimento de uma ficha de paciente novo, a transmissão do cartão magnético do convênio, a abertura da porta eletrônica e a um pedido de sinal de fax. Impassível e gentil, responde: -Consultório, boa tarde!


Mas, há aquelas que, enquanto o médico desdobra-se em estudos e terminologias científicas, dão uma verdadeira exibição de como o exército perde a batalha na retaguarda. Conheci uma que, por telefone, adiantava a receita para combater tosse à mãe aflita enquanto o pediatra atendia outro paciente. Esta mesma moça ligava para os amigos do telefone do consultório para conversar. Em uma dessas ligações, combinava um programa, confirmava animadamente as presenças e comprometeu-se a levar a vodka. Pudera, ela também tinha que achar alguma coisa para passar o tempo. Interessante também, era outra secretária que contava como era ciumenta e suas estratégias para perseguir e controlar o namorado. Mas, a melhor de todas, era uma que ligava para a mãe do namorado para discutir o comportamento do rapaz, para quem ela já havia dito: "-Fulano, não quero saber de você conversando com aquele menino!" De todo modo, parece que a mãe dele poderia se despreocupar que ela estava muito atenta etc e tal.
O que nos resta? Nessas inevitáveis esperas, temos que ajudar o tempo a passar. Um sábio já disse que se a vida lhe der um limão, faça uma limonada. Divirta-se e tenha uma boa tarde no consultório.

Maria Inês, em 2004.


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