Chamam-me cinquentona.
Grata pelo aumentativo,
pelo reconhecimento
quase superlativo.
Nasci na primavera
Posso contá-las então
Mas não importa a conta,
Não é essa a preocupação.
Não se diploma cinquentona
Por uma única estação
Há que pulsar com todas elas
que chegam e que vão.
Frio, chuva, poda, calor e aragem
em meio a teimosas primaveras
Invernos, verões e outonos
que se alternam em voragem.
Ninguém vive de graça
E o preço é se expor
Viver não é simples contagem
É ter história e saber quanto custou.
Pago o preço do título
E mereço a honraria
Escrevo com bonanças e intempéries
Os versos da minha antologia.
Maria Inês, em 31/08/2009, às portas da 52ª primavera.