Ser simples é um luxo

Quantos de nossos desequilíbrios financeiros são consequências dos nossos desequilíbrios pessoais? Vamos simplificar, descomplicar, procurar o que nos faz bem?
Que tal exercitar os sentidos: distinguir cada som... sentir o cheiro de um café sendo coado, ou o de um pão no forno... ver as cores das folhas e das flores, os rostos de quem amamos... sentir o vento ou um carinho na pele... morder uma fruta e perceber o gosto de seu sumo apoderar-se da boca...
Que tal fazer uma coisa prazerosa: caminhar livremente, conversar com amigos, cuidar de plantas, tomar um banho quente antes de deitar, ver o mar, ler um livro, namorar, passear, almoçar em família, contemplar uma criança, jogar, apreciar o céu e o formato das nuvens, ou as estrelas, esperar o sol se esconder atrás das montanhas, para ver de que cor vai tingir o céu...
Não há como enumerar de forma completa o que nos traz prazer e bem estar. E, no meio da tecnologia que parece nos absorver, dos encargos e preocupações, da sensação de insegurança, da cerimônia excessiva imposta entre amigos e familiares por portarias e convenções, as coisas simples da vida vão se tornando um luxo para poucos. Mas, apesar de toda parafernália eletrônica que hoje possuímos e da qual dependemos, estamos nós, e a nossa essência, que precisa resistir e continuar maior e mais importante que as coisas... que não pode tornar-se obsoleta junto com o videocassete e a máquina de escrever.
Procurar qualidade de vida é descomplicar, viver e conviver com quem gostamos, ter o luxo de ser simples.
Transcrevo a seguir, um trecho do livro “Engenheiros de pau-a-pique: a construção de uma vida”, em que o autor, Paulo de Carvalho Freitas, descreve uma experiência da própria infância, em que mostra a riqueza da simplicidade.
“Debaixo do pé de tamarindo, ele montava o seu pequeno espetáculo: as velhas toalhas de pano de saco de açúcar serviam de lonas, que eram montadas em cima de uma estrutura de varas de mandioca, galhos e gravetos. O picadeiro era feito com palhas de arroz cercado com pedrinhas ou grãos de milho.
Neste circo tudo acontecia: palhaços andavam de pernas de pau, artistas faziam malabarismo, trapezistas ficavam suspensos nas cordas feitas com restos de barbantes, mágicos tiravam coelhos da cartola e animais ferozes faziam shows de apresentações. Cavalos brancos e baios corriam em volta do picadeiro levando índios que montavam e desmontavam. De pé, sobre o lombo em pelo dos animais, faziam estalar seus chicotes no ar, tirando da plateia grandes salvas de palmas.”

Maria Inês, em julho/2012, publicado na Revista Vida Saudável, ano VII, nº 04/2012


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